Desde que houve uma quebra de paradigma, há 4 anos atrás, quando meu sócio Sidney Ribeiro foi jurado do Lions Direct, a questão da idéia neutra vinha se acomodando. Acho que agora isto está plenamente resolvido. Gigantes como Mcdonalds, Kraft Foods, J&J e P&G declaradamente disseram que não se importam em trabalhar com essa ou aquela agência, esse ou aquele canal, essa ou aquela ferramenta. O que importa é a força da idéia que gera resultado. Nesse sentido, avançamos muito. Baixada a poeira, agora entendo que é a vez da linguagem e execução passarem por este “exorcismo”. Tudo aquilo que aprendemos nestes anos todos está por um fio. Nossos filhos e as pessoas 10 anos mais jovens que eu não vão se interessar por aquilo que hoje ainda “vende”. São tantas possibilidades que as novas tecnologias e devices estão nos trazendo. Agora sinto que sim, a confusão vai começar no âmbito prático. iPhone, Google Currency, realidade expandida, quantos jeitos novos de atingir o consumidor temos e teremos. Vimos filmes? Sim. Vimos novas plataformas? Sim. Vimos um mundo fascinante de comunicação? Sim. Disse bem o CEO da Digitas: é um novo universo em que não existe certo ou errado. Tudo pode ser aceito desde que se estabeleça uma conversa de pessoa a pessoa, com emoções e conexões reais. Isto também comprovei no rolo de filmes da Saatchi & Saatchi que trouxe imagens que refletem o que há de mais frugal ou de mais sórdido na nossa vida. E estes foram os filmes mais aplaudidos. Aqueles que ficaram no meio do caminho, bau, bau, nada aconteceu. Não mexeram com a platéia. Assim é com todas as outras disciplinas. O Brasil foi mal em cyber este ano? Não. É que todo mundo agora está focado nisso e se beneficiando de um aprimoramente tecnológico que ainda não temos. As coisas estão mudando muito. Falou-se bastante em democratização da criatividade, mas eu sinto que é democratização de tudo, do espaço criativo, da autoria, da permissão, da propriedade, da distribuição, em produzir conteúdo intelectual. Há 15 anos atrás quando eu comecei vir para o festival, haviam plaquinhas por todo lado tipo “proibido gravar e fotografar”. Hoje isso não existe. Está tudo digitalizado...no celular, na internet, na webtv, no lap. Fotografar, registrar, envolver está totalmente incorporado ao nosso dia-a-dia. As conversas com as empresas mais espertas foram simples ping pongs descontraídos e despretenciosos, O que eles tinha a mostrar, tipo Naked, 42 Enterntainment, Saatchi & Saatchi, CHI and Partners etc., está tudo publicado, público, disponível para quem quiser. Esta é nova fase do nosso trabalho. Ter um resultado de um processo colaborativo, que inclui nossos prospects e clientes. Os monopólios estão todos caindo por terra. Vimos o que aconteceu com a indústria da música, agora com os vídeos e logo, logo com as agências. Afinal, se um jovem de 15 anos produz na base do você S.A. uma comédia absurda “I’m Fred”e um milhão de pessoas prestam atenção nisso, é porque isso tem valor para esta audiência. O espontâneo, o verdadeiro, o espelho de nós mesmos é o que gera o interesse. Então você está com coragem? Assim que estas brincadeirinhas esperas estiverem mais disponíveis no Brasil, vai haver uma migração avalanche para o digital. Tudo no Brasil em termos de digital é assim: CDs no começo, depois internet, agora celular. Grandioso, estatisticamente forte. Os brasileiros amam se comunicar, trocar, compartilhar. É a essência de nossa nação. Engajadas e motivadas com facilidades tecnológicas então, salve-se quem puder. Vai ter bug toda semana. Não falei durante o festival inteiro sobre o Twitter, porque estava observando as pessoas e a sua relação com ele. É simplesmente a fofoca no portão digitalizada. Eu quero contar e você quer escutar. Afinal, o que há de novo? O que você está fazendo, com quem, que horas, mas conta logo...Todo mundo está twittando a morte de Michael Jackson. Queremos estar ligados, a partir da nossa própria emoção, controlando tudo. Hoje em dia, show off e voz alta não impressiona. Pertinência e conteúdo é tudo! E as vezes, a gente nem precisa abrir a boca para ser admirado. Reputação, reputação, a partir de sua integridade pessoal e de marca. É o que trago na bagagem e vamos tentar fazer o nosso melhor na Fábrica, agora também com a expertise digital da Kwead!