Wave Rio: direct é bipolar! A começar pela língua, pela grandeza dos números brasileiros, pela irmandade entre os latinos, na não qual estamos incluídos: somos 2 nações, 2 mundos, o Brasil de um lado, toda a América do Sul do outro. Bem este é o pano de fundo. Não por bairrismo, nem por prepotência, nem por arrogância: é simplesmente cultural e olha que, em termos de "globalização" e atualidade, “hablar” espanhol, a 2ª. língua mais falada no mundo, é bem melhor. Enfim, conheci jurados incríveis da Argentina, Peru, Venezuela, Colômbia e Chila. Todos “muy buena pinta”. Apesar de estamos em “minoria”, Reynaldo da Ogilvy One e eu não tivemos muitas discrepâncias em termos de julgamento. A dificuldade ficou mesmo em nos localizarmos como atividade, encontrar os critérios que definem o que é, e o que não é direct, num festival que privilegia a ideia. Se por um lado temos campanhas globais que ganharam em outras categorias, por outro lado ainda tivemos muitas caixinhas e o saudosismo “da cartinha”. Lembro a cara de desapontamento do juri quando uma “carta”não passou para o short list. Mas a questão é que estamos vivendo essa bipolaridade o tempo todo, o passado e o presente, o que já foi “aceito como regra”e o que não pode mais obedecer a norma. Afinal, o que é um call to action? Precisa ter um telefone, uma url, ou pode ser simplesmente uma máquina gigante chamando a atenção em frente ao cinema? O que e resultado? Amigos, seguidores, fãs contam ou não contam? Algo que você despacha pelo correio precisa ser classificado como direto? As mensagens que os usuários de redes sociais trocam entre si não podem ser consideradas direct ? Essas foram apenas algumas das perguntas que tentamos resolver antes mesmo de jugar os cases. Enquanto muitos júris ficaram até o último segundo discutindo seus cases, nosso trabalho fluiu tranqüilo. O que era bom, era unanimidade. O restante sobrou sem grandes culpas. Então senti muita desigualdade no material apresentado. E essa mania que tudo precisa ser online as vezes deixa o case ridídulo, gratuito, sem propósito, a não ser o uso do canal. Foram 100 peças e, ao final, não sobraram 20, contrariando a proporção de apoveitamento de 855 e descrta de 15%. O que fizemos foi justamente o contrário, 15% de aproveitamente, 85% de descarte. Também não tivemos Gran Prix, o que refletiu de certa forma, a falta de uma grande ideia na categoria. Os ouros da categoria para Jeep e Saxofunny ainda demonstram nossa nostalgia pelos “formatos” o que, num mundo cada vez mais online, vai ficando inviável. Ao mesmo tempo, não existe o abandono ao design offline ou mesmo online, que toma cada vez mais força como recurso de personalização, diferenciação e preço Premium. Enfim, o resultado foi bipolar, porque ainda estamos transitando pelos dois mundos, ainda mais quando comparamos B2C, B2B e B2E: cada um esta numa “era”da comunicação dirigida. E acho que deverá ser sempre assim, diverso. Então nesse mix Brasil/América do Sul senti um certo revival de coisas requentadas. Se é isso que de melhor estamos produzindo, 2011 tem que ser um ano de muita pequisa e trabalho. No mais, fica um puxão de orelha nas agências da nossa indústria: cadê vocês??? Foram poucas as inscrições e a maioria das agências tradicionais de advertising sendo premiadas. Isso mostra nosso jeitão de ser, meio focado no “mercadinho”. Se sobrou glamour no festival, faltou na categoria. Já estava na hora desta dicotomia acabar, porque há muito o marketing direto deixou de ser o primo pobre da propaganda. Agora só falta uma mentalidade mais nobre de nossa parte. Fica o toque, estamos no mundo da comunicação, participemos do que melhor acontece nele! Tudo isso é muito enriquecedor, alegre e integrador, um plug com o mundo. Terminamos, então, direto do Le Hot Dog, bem pop, da Praia do Flamengo. O Rio de Janeiro continua lindo, continua sendo!